Por uma economia solidária que nasce do território, fortalece vínculos e transforma realidades
No dia 16 de maio de 2026, a Zona Sul de São Paulo recebeu o lançamento oficial da Base de Serviço Solidário da Região Sul dentro do Projeto Rede Trabalho e Cidadania na Periferia, uma iniciativa do Instituto Redes, realizada em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária.
A atividade aconteceu durante a Feira da Semana de Compostagem – Planta Feliz, das 9h às 16h, reunindo empreendedores, coletivos, agentes públicos, iniciativas socioambientais e moradores do território em um espaço de troca, formação, articulação e fortalecimento da economia solidária.
Mais do que um ato de lançamento, o encontro marcou o início de uma caminhada coletiva na Zona Sul, conectando trabalho, cidadania, sustentabilidade, agricultura urbana, economia circular e organização comunitária.
Um projeto que chega para somar com quem já constrói o território
A escolha da Feira da Semana de Compostagem como espaço de lançamento não foi por acaso. O evento expressou uma forte sintonia entre a proposta da Rede Trabalho e Cidadania na Periferia e as práticas já vividas por coletivos e empreendimentos locais.
A economia solidária se fortalece justamente onde há colaboração, cuidado com o ambiente, produção local, valorização do trabalho e circulação de saberes populares. Por isso, o lançamento em meio à feira permitiu que o projeto fosse apresentado de forma viva, dialogando diretamente com quem já produz, organiza, vende, cria e resiste nas periferias.
A equipe do Instituto Redes esteve representada por Matheus, diretor do Instituto Redes; Roseilda Lima Duarte, articuladora territorial do Núcleo Sul; e Pâmela, agente de Desenvolvimento Solidário. A presença da equipe possibilitou diálogos com empreendedores, coletivos e representantes do poder público, abrindo caminhos para novas parcerias e agendas de formação.
Empreendimentos, coletivos e novas conexões
Durante a atividade, o projeto contou com a presença de iniciativas importantes já integradas à Rede, como a Associação Ecos do Campo e o coletivo Mulheres Inovadoras, além da participação da Bauhinia Socioambiental, que realizou uma oficina ambiental prática voltada para crianças.
Essas presenças reforçam a diversidade da economia solidária: agricultura, artesanato, cuidado ambiental, formação, trabalho coletivo e participação comunitária caminham juntos na construção de novas possibilidades de geração de renda.
A ação também permitiu ampliar o diálogo com novos empreendedores e pessoas interessadas nas pautas de desenvolvimento econômico sustentável. Esse contato direto com o público é fundamental para que o projeto cresça com os pés fincados no território, reconhecendo as potências já existentes e acolhendo novas iniciativas.
Articulação com coletivos da Zona Sul
Um dos destaques da atividade foi a articulação realizada pela agente de Economia Solidária Pâmela, que estabeleceu diálogo com o Sr. Luiz e o Sr. Cauê, da Casa da Girafa. A conversa abriu uma ponte importante com o coletivo Travas da Sul, que desenvolve trabalhos de confecção, artesanato e patchwork.
A aproximação entre esses coletivos aponta para uma das grandes missões do projeto: conectar iniciativas, fortalecer cadeias produtivas solidárias e criar oportunidades concretas de exposição, comercialização e reconhecimento do trabalho feito nas periferias.
Entre os encaminhamentos, está a possibilidade de realizar uma visita de aproximação entre os coletivos e planejar, de forma integrada, a ocupação da Casa da Girafa como futuro espaço de exposição para os produtos e criações do ateliê das Travas da Sul.
Diálogo com o poder público e fortalecimento institucional
O lançamento também contou com a presença de representantes importantes do poder público municipal. Participaram do encontro Felipe Oliveira, Coordenador de Agricultura da cidade de São Paulo, vinculado à SMDET, e Cristiano Gomes, Diretor de ATER — Assistência Técnica e Extensão Rural — da Prefeitura de São Paulo.
Essa aproximação fortalece o diálogo entre o projeto e as políticas públicas voltadas à agricultura, ao desenvolvimento rural, à economia solidária e ao apoio aos produtores locais.
Também esteve presente a Sra. Elvira, secretária do Subprefeito, que se colocou à disposição para apoiar o projeto, inclusive com a possibilidade de liberação de salas para futuras formações, cursos, palestras e reuniões da Rede no território.
Esse apoio é estratégico para garantir que a Base de Serviço da Zona Sul tenha condições concretas de realizar atividades formativas e fortalecer a presença do projeto junto às comunidades.
Próximos passos da Base de Serviço da Zona Sul
A partir do lançamento, o Instituto Redes seguirá com a sistematização dos novos contatos realizados durante a feira, organizando o mapeamento de empreendedores e cidadãos interessados em participar da Rede.
Outro passo importante será a articulação de uma agenda oficial com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, com o objetivo de apresentar formalmente o projeto Rede Trabalho e Cidadania na Periferia e ampliar o diálogo institucional no município de São Paulo.
Além disso, a equipe seguirá fortalecendo a aproximação entre coletivos, mapeando espaços de formação e organizando as próximas ações da Base de Serviço do Núcleo Sul.
Economia solidária como caminho de cidadania
O lançamento da Base de Serviço da Zona Sul reafirma que a economia solidária não é apenas uma alternativa econômica. Ela é também um caminho de cidadania, participação popular, autonomia, geração de renda, cuidado com a vida e fortalecimento comunitário.
Nas periferias, onde muitas vezes o trabalho nasce da necessidade, da criatividade e da cooperação, projetos como a Rede Trabalho e Cidadania na Periferia ajudam a reconhecer, organizar e potencializar aquilo que o povo já faz: produzir, cuidar, criar, resistir e transformar.
A Zona Sul inicia, assim, uma nova etapa dessa caminhada. Uma caminhada feita com muitas mãos, muitos saberes e muitos sonhos de uma cidade mais justa, solidária e democrática.